Eu nem sempre aceitei tudo. Nem sempre disse “sim” para tudo. 

Na verdade, durante boa parte de minha vida vivi num cabo de guerra comigo mesma.

Fui uma adolescente muito tímida e ansiosa. Por isto, tinha dificuldade em fazer coisas novas. Eu tinha medo das situações desconhecidas.

Depois dessa fase, comecei a me abrir um pouco mais. Com isso, veio a vontade de experimentar. Comecei a dizer mais “sim” para coisas que me deixavam desconfortáveis. Um avanço, um marco e uma das melhores experiências que já tive.

Como reflexo de todos os resultados positivos que tinha à medida que dizia “sim”, eu comecei a dizer cada vez mais “sim”.

Entretanto, estes “sims” não eram apenas para experiências, mas para trabalho, família, amigos e projetos paralelos.

E eu continuei. 

Alguém me convidava para sair no final de semana – em que eu tinha planos para descansar e finalmente não fazer nada? Eu dizia sim.

Algum cliente pedia para fotografar um projeto de última hora? Sim, eu posso!

Alguém me mandava uma mensagem sobre trabalho no Instagram à meia noite? Sim, é claro que estou aqui para te responder!

Eu poderia fazer aquele projeto paralelo tendo 3 empregos? Claro que sim, eu dou um jeito.

A verdade é que eu sempre dei um jeito. Eu sempre consegui horas o suficiente para executar tudo que eu queria com a qualidade que desejava. Às vezes dormia menos, quase sempre negligenciava meus finais de semana.

Eu sempre assumi muitas responsabilidades, sempre fui muito racional com relação ao meu trabalho.

E o fato de, hoje, amar fazer o que faço – criar conteúdo e compartilhar conhecimento – me fez abraçar ainda mais responsabilidades.

O que eu não enxergava – e o que ninguém vê nas redes sociais – é que eu estava sacrificando a minha própria saúde mental.

Quando dizer ‘sim’ me levou a ter uma crise nervosa

Venho falar sobre isso, sob pena de ser julgada como fraca pelos que não têm o mínimo de empatia, não entendem, ou que nunca estiveram na minha pele. 

Mas, hoje não falo à estas pessoas. Falo àqueles que se sentem, sentiram ou sentirão desta forma em algum momento. Me abro através deste artigo como uma espécie de alerta.

Escrever este texto e chegar até ele foi difícil. Depois de duas semanas sem escrever e ainda sentindo os efeitos do que aconteceu nas últimas semanas eu quase desisti de escrever qualquer coisa.

Eu comecei 3 textos e não conseguia terminar nenhum.

Mas, eu precisava dizer este sim e escrever.

A crise aconteceu enquanto eu estava envolvida em um processo intenso relacionado ao Workshop em Portugal, a gravação de um curso online, problemas pessoais e uma viagem que foi a mais sobrecarregada desde que comecei a vida de nômade digital.

Além disso, eu tinha reuniões agendadas e outros trabalhos com prazo apertado para finalizar e entregar.

Ao mesmo tempo, fui nomeada como uma das Top Voices do LinkedIn em 2018 e comecei a receber uma enxurrada de comentários e mensagens no LinkedIn, no meu Instagram e mensagens no WhatsApp.

É sensacional, não é?! Eu sou grata por isto e fico muito feliz com tudo, com meu trabalho prosperando, com o reconhecimento e com todas as pessoas que estão ao meu redor.

O problema não era isso tudo. O problema era que eu quis dizer 1.000.000 de “sims” ao mesmo tempo.

Eu quis abraçar todas as responsabilidades e eu simplesmente não tinha tempo. Eu me vi sufocada por um milhão de tarefas a executar e eu não conseguia fazer nenhuma delas bem.

Em algum momento, depois de ler uma mensagem no WhatsApp algo me sufocou. Eu precisava de espaço. E foi atrás disso que fui.

E aí, como reflexo, eu praticamente larguei as redes sociais por uma semana. Me comuniquei apenas com pessoas extremamente próximas e passei um tempo vivendo a vida real, com pessoas do mundo real.

No trabalho, fiz apenas o que era absolutamente necessário e deixei as coisas às quais eu tinha dito “sim” – mas que eram “opcionais” – pra depois.

Dizer ‘sim’ é uma faca de dois gumes

Ao mesmo tempo que dizer “sim” é considerado algo incrível e sinônimo de coragem e ousadia, dizer “sim” o tempo todo pode trazer inúmeros problemas. O maior deles é negligenciar sua saúde mental.

O estresse causado por todas as responsabilidades assumidas e pela pressão e cobranças internas de dar seu melhor, de entregar algo incrível, de estar presente, de cuidar bem de você, de estar com sua família e amigos, de responder, de curtir, de publicar.

Todos estes “sims” tão importantes fazem você se sentir um merda por não conseguir cumprir com as promessas seladas por uma palavra tão pequena. 

Quando dizer “sim” torna-se um fardo – e não uma diversão e uma aventura para terras desconhecidas – é hora de reavaliar. 

Dizer “sim” é ótimo, mas saber dizer “não” – inclusive e principalmente para você mesmo – pode salvar sua pele e te poupar alguns anos de vida.

Eu costumava dizer que empresa nenhuma vale todo estresse pelo qual passamos – com cobranças de chefes, clientes, horas malucas.

Mas, eu nunca pensei que isto pudesse se aplicar à minha própria empresa, à minha marca pessoal.


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O excesso de trabalho e responsabilidades – seja na vida profissional ou pessoal – pode levar à estafa, mesmo que você ame o que faz.

Ninguém aguenta trabalhar cerca de 16 horas diárias, sem final de semana e sem férias. Ninguém aguenta estar pensando em trabalho mesmo quando não está trabalhando.

Quando aprendemos a dizer “não” nas horas certas – não porque temos medo, mas porque somos sinceros conosco reconhecendo que não temos condições de fazer algo – a vida passa a ser muito mais leve.

Dizer “sim” abre, de fato, muitas portas. Porém, em algum momento, quando a demanda é alta, você deve escolher que portas abrir.

Diga os “sims” que valem a pena ser ditos e saiba dizer um “não” logo depois se perceber que aquilo não era bem o que você imaginava.

Não há problema nenhum em recuar ou em estar enganado sobre algo.

Não há certo e errado. Apenas assegure-se de estar bem o suficiente para fazer o que você faz de melhor.


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