Para ser sincera, eu nunca tive um propósito de vida muito claro até pouco tempo atrás. Eu até escrevi sobre minha confusão sobre não “ser alguém” com vinte e poucos anos neste artigo – de dois anos atrás.

A verdade é que durante muito tempo confundi propósito de vida com de trabalho. E é natural fazê-lo quando sua resposta padrão para quem você é, é falar da sua profissão.

Desde a infância associamos nossa personalidade ao trabalho que desempenhamos. Os adultos perguntam: o que você quer ser quando crescer? E a  resposta costuma ser uma profissão. Então, crescemos pensando que o trabalho que escolhemos desempenhar nos define; assim como a quantidade de dinheiro que ganhamos, os objetos de valor que acumulamos e os relacionamentos que cultivamos.

E embora muitos pareçam ter metas claras e precisas com relação à trabalho, dinheiro e relacionamentos, por exemplo, nada disso diz respeito à um propósito de vida. Porque todos estes elementos são componentes da nossa existência, mas não o centro. Ainda assim, poucos parecem enxergar algo além disso.

E é aí que eu estava me perdendo.

 

Talvez estejamos fazendo as perguntas erradas

Certo dia, enquanto conversávamos sobre propósito e motivação – ou sobre a falta destes – um amigo me disse: “Talvez as pessoas estejam apenas fazendo as perguntas erradas”. E foi isso, sempre foi.

É possível que no cenário atual, tão controlado pela ambição e pela vontade de querer mais, ter mais, ser mais, nós tenhamos nos esquecido do que, de fato, nos traz felicidade. Estamos buscando um senso de propósito onde não há.

Porque não é um carro melhor, nem ser o CEO de uma empresa, nem estar casado, nem ter um corpo torneado, nem ter roupas bonitas, nem mesmo viajar o mundo que vão te fazer feliz. É claro, tudo isso te traz felicidade instantânea; mas, deixa um vazio logo em seguida.

São só coisas, só pequenas metas se pensarmos no aspecto macro. Nada disso é propósito de vida. Mas, então, como podemos estar todos vivendo uma vida sem um propósito claro? Para onde estamos caminhando?


“Alice perguntou: Gato Cheshire… pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?
Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato.
Eu não sei para onde ir! – disse Alice.
Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.”

– Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas


 

Há dois anos eu estava completamente perdida. Refleti, fiz terapia, li livros, artigos, assisti à vídeos e nada parecia me fazer encontrar meu propósito. E isto era importante para mim.

Sem um propósito, que sentido fazia a minha vida? O que eu estava fazendo com meu tempo na terra? Como eu seria feliz?

E não foi como mágica, nem menos uma dessas atitudes isoladas que me transformaram. Talvez tenha sido o conjunto disso tudo.

Foi quando comecei a pensar mais sobre propósito de vida, a ler, falar e ouvir sobre propósito, amor e criatividade comecei a juntar várias peças de um quebra cabeça. Assuntos que pareciam não estar conectados estavam profundamente interligados. E a conexão era uma só: eu mesma.

Quando li sobre criatividade descobri que precisava amar, não aos outros, mas à mim mesma. Quando li sobre amar à mim mesma descobri que não me amava. Quando me questionei por que não me amava, descobri que não aceitava meus defeitos. Quando fiz terapia para corrigir minhas sombras descobri que tudo era questão de perspectiva. Quando comecei a aceitar meus defeitos e falhas comecei a me amar. Quando comecei a me amar comecei a cuidar de mim. Quando comecei a cuidar de mim, comecei a, gentilmente, corrigir o que me prejudicava. E quando comecei a corrigir o que me prejudicava passei a evoluir como indivíduo e encontrei o que me faz feliz, o que me move, o meu propósito como ser humano.

Não era mais sobre ser bem sucedida, ter dinheiro, viajar o mundo ou querer agradar. Tudo isto era extremamente pequeno se comparado ao meu propósito de vida. Os problemas com relação à estes assuntos tornaram-se pequenos e já não me incomodavam mais tanto.


“Qualquer um que tenha olhado para baixo do topo de um prédio alto sabe o quanto é difícil avaliar a diferença de altura entre os prédios mais baixos quando vistos de cima. Todos eles parecem pequenos.”

– Hans Rosling, Factfulness


Meu propósito, descobri, é crescer e me desenvolver como ser humano; é estar disposta a receber o que vier – coisas boas e ruins – da forma mais positiva possível e levar tudo como um aprendizado; é estar aberta a me conectar com outros seres humanos e fazer com que ambos cresçam a partir disso. Agora é apenas sobre ser, experimentar e evoluir.

Mas, por que definir meu propósito de vida me fez mais feliz?

Antes, eu possuía algumas metas e nenhum propósito – apesar de eu achar que existia um. Porém, quando senti que meu propósito de vida era evoluir, tudo se transformou.

Algo inacreditável acontece quando seu principal objetivo na vida é evoluir. Você passa a aproveitar o caminho e não apenas a sonhar com o destino. Você vira criança novamente, porque tudo é uma oportunidade de aprendizado, tudo é evolução. Cada pedra no caminho é uma oportunidade de construir um castelo, cada pequena vitória é motivo de alegria.

Você se torna curioso; curioso sobre o que o próximo dia te reserva, sobre quem você vai encontrar, sobre os desafios que vai enfrentar. Por que você tem a absoluta certeza de que todas as situações estão te ensinando algo e te conduzindo mais adiante. Você encontra valor tanto nos bons momentos quanto nos ruins, nos pequenos e nos mais grandiosos. Você só precisa encontrar significado e analisá-los; só precisa ser quem é e acreditar que cada experiência vivida está te fazendo evoluir de alguma forma.

E quando você sai do papel de vítima e assume o papel de protagonista da sua vida; quando começa a aceitar o que ela tem para te dar e a usar tudo isto ao seu favor como uma ferramenta para evoluir, cada segundo é válido, porque você é o seu propósito.

E quando você e seu bem estar são seu propósito você sente que a sua vida vale a pena. E este sentimento irradia para todos ao seu redor.


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