O medo sempre foi algo muito presente em minha vida, afinal, fui criada para ter medo, desde criança.

Medo de me machucar, medo de falhar, medo do pior…

Quando subi naquela moto em Bali, na Indonésia, sem usar capacete, tudo que podia dar errado começou a passar diante dos meus olhos. Afinal, sou filha do meu pai. Ele é autoridade quando o assunto é se preocupar com tudo que pode dar errado.

Então, imediatamente fiz o que meu progenitor me ensinou, comecei a pensar em todas as formas que eu poderia morrer – ou me machucar feio.

Mas, ainda assim, eu estava ali, cara a cara com minha morte iminente, nas mãos de um completo desconhecido. Era assim que minha vida acabaria: morta segurando os ombros de um cara chamado Ketut, que eu conhecera há 2 minutos num aplicativo estilo Uber.

Aparte da irresponsabilidade de aceitar subir em um moto-táxi sem capacete eu comecei a refletir sobre como o medo sempre dominou minha vida –  e aposto que grande parte da sua também.

Onde nosso passado limita nosso presente

Depois disso comecei a pensar em duas coisas.

Primeiro, eu não tinha aproveitado a sensação deliciosa de andar de moto ao lado dos campos de arroz de Bali porque eu estava tensa demais para até mesmo respirar direito. Para mim era claro, ou morreria frita no asfalto depois de um acidente feio ou por ter segurado minha respiração até a morrer.

Segundo, as crenças e medos dos meus pais vindas de um passado, relativamente, tão distante estão tão presentes em minha vida que, às vezes, parece impossível me livrar delas.


Relacionado: Solitude: uma forma de evoluir e se redescobrir

Lembro que quando era criança eu costumava cair muito quando corria por causa de um problema nas minhas pernas que fazia com que eu tropeçasse com mais facilidade. Cair sempre foi normal para mim. Era uma bosta, mas era normal.

Mas, em algum ponto eu lembro de querer aprender a andar de bicicleta e meus pais não permitirem. A razão?! Eu já me machucava demais caindo em cima das minhas próprias pernas, imagina em cima de uma bicicleta?!

Então, como resultado disso, aprendi a andar de bicicleta há míseros 4 anos, quando o Matheus  me ensinou.

Mas, o que isso tem a ver?

Bom, recentemente, enquanto conversava com um amigo percebi que esta limitação era, muito provavelmente, a raiz da minha falta de autoconfiança, de eu achar que não sou capaz.

Quando eu absorvi o medo dos meus pais de que eu caísse, quando eu entendi, através dos olhos deles, que as pessoas que mais admirava no mundo não acreditavam que eu era capaz, no auge da minha infância eu só pude acreditar. É óbvio que não era isto que eles queriam dizer, mas foi isso que meu eu de 6 anos de idade interpretou. Eu não era capaz.

Nossa relação com o medo

No livro “We’re born to learn”, Rita Smilkstein afirma que os químicos produzidos em nosso organismo pela ansiedade e pelo medo produzem em nós duas sensações: a vontade de sair correndo e fugir de uma situação ou a paralisia diante do perigo – exatamente como nossos ancestrais faziam ao encarar um predador.

É natural que nossas experiências traumatizantes nos marquem e que nós limitemos nossas atitudes baseadas em experiências ruins do passado. É natural que adotemos a postura do “salve-se quem puder” e busquemos escapar ou fiquemos estáticos sem fazer nada e sem conseguir pensar no que fazer.

É instintivo, é químico, nós não queremos nos machucar, não queremos passar por experiências desagradáveis. E, justamente por isto, nos impedimos até mesmo de tentar.


 Relacionado: Renda-se aos recomeços

É claro, essas reações serviam muito bem para situações de vida ou morte de nossos ancestrais. Porém, hoje em dia não é bem assim. Num mundo de oportunidades, não podemos deixar que os nossos medos e traumas definam o nosso futuro, nos paralisando ou nos fazendo fugir.

Ter um chefe horrível agora não vai fazer com que todos os outros sejam horríveis. Ter batido o carro uma vez não te faz um péssimo motorista. Ter um relacionamento “fracassado” não significa que todos eles terão o mesmo rumo. E as chances de tudo dar errado são só uma pequena possibilidade. Além de tudo, esta possibilidade está dentro da sua cabeça e pode, muito provavelmente, nem mesmo se concretizar, porque se tem uma coisa que não conseguimos fazer bem é prever o futuro.

Deixe as experiências negativas – e o negativismo dos outros – no passado

Nossas experiências negativas – ou aquilo que costumamos chamar de erros – são, de fato, ótimos professores.

Mas, enquanto elas estão acontecendo é natural que a gente enlouqueça e não consiga pensar direito. A psicóloga Jennifer L. Taitz, autora de “How to be single and happy”, nos lembra que quando estamos diante de uma situação emocionalmente difícil de lidar, é natural que nosso cérebro não consiga pensar “racionalmente”.

Neste momento, nossas emoções tomam conta e a realidade e a racionalidade desaparecem. Você passa a viver em um mundo de medo e ansiedade que só existe em sua mente. Enquanto isto, uma coisa tão descomplicada, como fazer uma simples conta de matemática, se torna praticamente impossível. Imagina tomar decisões importantes, então?!

Porém, depois da tempestade sempre vem a calmaria. Quando a tempestade emocional dá uma trégua e a mente racional consegue fazer seu trabalho com eficiência é possível entender o que aquele acontecimento – aparentemente catastrófico – estava nos ensinando.

E isto não quer dizer que você precise evitar aquele tipo de situação por completo e para sempre. O que você precisa, na realidade, é aprender com seus erros e tentar novamente. Talvez, fazer de uma forma diferente, mas tentar. Mas, além disso, deixar para trás os medos alheios. 

Hoje eu percebo que muito dos medos dos meus pais ou até mesmo da sociedade me impediram de fazer coisas que gostaria de fazer. Nós, muitas vezes, nos apropriamos de medos e crenças que absorvemos dos outros sem nunca passar por aquela situação. Desta forma, passamos a agir como se estes medos e crenças fossem nossos.

Eu, por exemplo, quase não fui para o Marrocos porque todos diziam que era um país ruim para mulheres. Deixei de acreditar em meu potencial porque me disseram que eu não podia andar de bicicleta. Em resumo, deixei que as experiências ou crenças negativas de outras pessoas limitassem quem eu poderia ser e o que eu poderia fazer.

Quando fui contra o que me diziam que eu podia ou não podia fazer eu aprendi muito mais do que andar de bicicleta ou sobre o Marrocos e a sua relação com as mulheres.

Eu provei a mim mesma que eu era capaz e que meu passado – ou as percepções do outro sobre certo ou errado – não pode limitar meu futuro ou quem eu sou.


E aí, curtiu as dicas? Tem mais alguma pra compartilhar? Deixe um comentário aqui me contando!

Se quiser salvar este post para ler depois, salve a imagem abaixo no seu painel do Pinterest! Aproveite e segue meu perfil por lá clicando aqui!